A desmistificação da morte

Aqui no Templo Espiritual Maria Santíssima, aprendemos com nossos Irmãos Ciganos Espirituais através de seus 12 mandamentos, a respeitar os idosos e não desprezar a sua sabedoria. Quantos de nós hoje sabemos as histórias de nossos antepassados? Cultura essa preservada pelo povo cigano e que foi se perdendo através dos tempos, conversar em volta de uma fogueira e aprender sobre nossos antepassados, suas histórias e sabedorias. Isso é um dos vários assuntos explorados no filme “Viva – A vida é uma festa!”, animação da Disney Pixar lançada no Brasil em janeiro de 2018. 

A aventura contada no filme é passada numa pequena aldeia rural do interior do México.

Tudo começa com a triste história da trisavó do protagonista Miguel, que é abandonada pelo então marido. O trisavô de Miguel queria ser artista e largou tudo – a casa, a família – para viver o seu grande sonho pessoal: ser cantor. Desde esse fatídico evento, a música vinha sendo banida por gerações na grande família Rivera, que passou a viver da fabricação de sapatos. A proibição era tão séria que envolvia tanto tocar quanto ouvir música.

Tudo muda, no entanto, com o amadurecimento do menino Miguel, que desde cedo demonstra ser apaixonado pelo universo das canções. O sonho de Miguel é virar um grande músico e o jovem menino resolve correr atrás do seu maior ideal. Miguel toma coragem e participa, a revelia da família, do concurso de talento do Día de Los Muertos. Vale sublinhar como esse dia é fundamental para a cultura mexicana, que acredita que os homenageados pelos vivos voltam para visitar, naquele dia, os seus entes queridos na Terra. Para que os mortos recebam esse “passe”, é preciso que algum vivo se lembre do falecido.

Para participar do concurso de talento do Día de Los Muertos, o garoto precisa de um instrumento e, por isso, se vê obrigado a roubar um violão no túmulo de Ernesto de la Cruz, o seu maior ídolo musical. O furto faz com que Miguel, junto com o seu fiel cão Dante, acidentalmente seja transportado para a Terra dos Mortos. Já do outro lado da vida, Miguel participa de um universo paralelo repleto de aventuras. Primeiro encontrará a caveira Hector, que promete ajudá-lo, mas que logo se apresentará como um vigarista de mão cheia

O maior problema de Hector é que ele não consegue visitar o mundo dos vivos porque já ninguém se lembra dele. Esperto, o defunto vê em Miguel uma oportunidade para resolver o seu problema. Para conseguir voltar ao mundo dos vivos, Miguel precisa encontrar uma saída antes do amanhecer. Caso contrário, ficará para sempre na Terra dos Mortos. Com essa missão quase impossível nas mãos, o garoto pede ajuda ao seu grande ídolo, Ernesto de la Cruz, que segue sendo um fenômeno da música no mundo dos mortos.

Numa reviravolta do enredo, Ernesto de la Cruz acaba por ser desmascarado como o maior vilão do filme, mostrando-se vaidoso, mentiroso e interesseiro. Por fim, com a ajuda das pessoas que ama, finalmente Miguel consegue regressar ao mundo dos vivos e seguir a carreira musical que tanto sonhava.

Inspirado na cultura mexicana, o filme é extremamente colorido, músicas típicas mexicanas, roupas coloridas e mostrando a festa do Día de los muertos, comemorada no dia 2 de novembro em honra aos falecidos e quando as almas são autorizadas a visitar os parentes vivos. Com essa animação dentre todos os assuntos abordados, aprendemos principalmente a valorização e empatia com o próximo, a importância do perdão e de como devemos lembrar com alegria de nossos antepassados, podemos dizer que a boa lembrança de nossos antepassados é o que alimenta o espírito mantendo ele vivo e forte nas Cidades Espirituais, valorizando seu legado e ensinamentos deixado, quanto maior seu legado, mais rico esse espírito. Uma lição um pouco mais sutil do longa-metragem é a importância do diálogo para uma família. Proibições não explicadas e histórias mal resolvidas podem dividir parentes e provocar desentendimentos que seriam resolvidos com uma boa conversa. Em resumo ao invés de continuar vendo a morte como um evento sombrio e mórbido, aprendemos muito que a morte é vista como uma passagem para outro mundo, que também é muito colorido, alegre e feliz. 

Deixe uma resposta