Tarsila do Amaral é considerada por nós uma das grandes mulheres da humanidade.

Nascida no final do século XIX, foi criada para ser esposa e mãe. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo e agiu para isso.

Tarsila, 1886 – 1973, é uma das principais artistas plásticas brasileiras de reconhecimento global, uma das maiores precursoras do movimento modernista no Brasil e um ícone feminino dos anos 20 que influenciou muitos artistas de sua geração e das futuras.

A artista tem origem no interior da região de Capivari, em São Paulo. As boas condições financeiras da família possibilitaram a ela ter acesso a um ensino de alta qualidade, dividido entre São Paulo e Barcelona, na Espanha. Tarsila viajou pelo mundo, mas nunca esqueceu suas raízes interioranas. Sua autonomia produziu a admiração de muitos. Em um período em que poucas mulheres se divorciavam ou trabalhavam, Tarsila do Amaral optou por terminar o seu primeiro casamento, no qual teve uma filha.

Solteira, quis tentar um novo rumo para a sua vida, decidindo estudar arte: começou com a escultura, uma linguagem com pouca tradição entre as mulheres. Ser artista tornou-se a sua profissão. Posteriormente, passou a ter aulas de desenho e conheceu Anita Malfatti. O encontro permitiu a Tarsila uma ponte entre o Academicismo e a nova vertente de arte, o Modernismo.

A partir de 1920, foi morar e estudar em Paris, onde conheceu os diversos estilos de vanguarda por lá em vigor, como o Expressionismo e o Cubismo. Permaneceu na Europa até junho de 1922. E, mesmo não tendo participado da Semana de Arte Moderna de São Paulo em 1922, teve a habilidade em concretizar os ideais modernistas em suas obras, unindo a brasilidade com a influência daquilo que estava sendo produzido de mais atual na Europa em sua época.

Esse percurso foi crucial para a criação do Movimento Antropofágico, que se propunha a deglutir a cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil. O Brasil, seu povo, natureza e costumes eram a maior fonte de inspiração para as telas de Tarsila. O exemplo mais famoso da brasilidade nos trabalhos dela é O Abaporu, tela cujo nome significa em idioma indígena o comedor de carne humana. A ideia do canibalismo foi uma metáfora dos modernistas para a apropriação da cultura estrangeira, misturada à tipicamente brasileira.

Com a morte de Dulce, sua única filha, Tarsila se aproximou do espiritismo e se tornou amiga de Chico Xavier. Com isso, passa a doar parte do dinheiro arrecadado com a venda de seus quadros para instituições mantidas pelo médium. Uma personalidade realmente inspiradora para todos nós!

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